quarta-feira, 18 de julho de 2007

O Bloco dos Insignificantes

Sou poeta. Não que isso seja alguma vantagem. Ou desvantagem. Apenas sou, se não pela qualidade, pela insistência. Pois bem, sempre pensei que apenas poetas poderiam entender poetas, garis entender garis etc etc...
Mas hoje descobri uma categoria profissional, esportiva, que é da mesma linhagem, da mesma estirpe dos poetas. É como se fôssemos irmãos gêmeos. Nós e os atletas do pólo aquático.
Com quatro ingressos na mão, fui ao Parque Júlio Delamare, onde acontecem as partidas de pólo aquático feminino do Pan. Tentei vendê-los- não consegui. Tentei dá-los- não consegui. Por absoluta falta de opção, acabei entrando no Parque, onde meia dúzia de heróis assistiam às partidas e um Cauê constrangedor gritava gooool com um ânimo bem maior do que o das próprias jogadoras.
Cerca de 1% dos brasileiros lêem poesia. Deve ser próximo o percentual dos que já assistiram a uma partida de pólo aquático. Acho que os atletas do pólo devem se sentir como eu- solitários, meio ridículos, quixotescos. Somos o lado B das letras e do esporte.
Mas sou um otimista. Podemos nos unir aos golfistas, aos torcedors do América e aos moralistas e formarmos um bloco, um bloco de carnaval, um grande bloco dos insignificantes.

Dan

3 comentários:

bili disse...

A pergunta que não quer calar. Foste com quem assistir ao polo ?

JT disse...

Mais respeito com os profissoionais que honram a nossa pátria sem qualquer incentivo. E também com os ilustres torcedores do América.

drosan disse...

Fui sumariamente preterido do conto, mas tudo bem, tudo pela licença poetica...

obs:EU ARRANJEI OS INGRESSOS
drosan