quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Daniel, o telepata

O que pode ser mais insignificante do que um caderno de cultura? Talvez a seleção guatemalteca de futebol júnior ou o sindicato dos ascensoristas mancos de Araxá. Pensando melhor, gostaria de me desculpar com os guatemaltecas e os araxaxenses. Nada supera os suplementos culturais dos jornais em insignificância e mediocridade. Apesar de ter falecido há cerca de 40 anos, a imprensa insiste em afirmar que a cultura brasileira está viva e bem. A cultura é uma espécie de pensionista fantasma da mídia.
O grande fato cultural da semana (e das próximas também) é a greve dos roteiristas de Hollywood. Não sei se a greve é justa ou não, se vai acabar logo ou vai demorar, mas, sem dúvida, ela é bem mais interessante do que todos os filmes americanos da década juntos. Uma década inteira de greve poderia fazer muito bem a Hollywood, aliás. Oscar para a greve!
Fosse aqui no Brasil, a tal greve não teria efeito tão positivo, já que nosso filmes, todos horríveis, não têm espectadores. Seria como uma greve, sei lá, dos servidores do Ministério da Pesca – não mudaria nada no país. Daria, no entanto, notícias mais interessantes para os cadernos de cultura. Deve ser mais edificante ler as reivindicações dos roteiristas unidos do Brasil do que uma resenha crítica sobre a última obra-prima do Zeca Baleiro.
A esta altura, posso ler a mente de meu leitor nacionalista, que é fã do Cacá Diegues e acha super bacana o investimento da Petrobrás no cinema. Vamos ver o que ele pensa de mim: “canalha! escroto! babaca! *%&#¨# “. Usando um pouco mais dos meus poderes telepáticos, busco mais alguma coisa na mente de meu leitor nacionalista. Curiosamente, não encontro nada.

-Dan-

5 comentários:

jv disse...

a arte em geral anda meio sem paradigmas. vc vai em qq bienal e soh ve desgraça, uma representacao deprimida do mundo, que sufoca a propria arte. o mesmo acontece no brasil, agravando-se o fato de nao haver muita inteligencia por aqui

Lucas disse...

como leitor nacionalista, acredito no equívoco da sua opinião, e na do caro amigo que posta aqui em cima, João. (telepatia boa essa sua, daniel)
nossa arte e nossa cultura estão vivas, muito vivas. o problema é que as pessoas têm a visão embaçada pelo pessimismo. de repente os "cadernos bês" não divulgam o que é de interesse geral, mas se olharmos com a frieza das estatísticas veremos que o produto cultural brasileiro ainda é um dos mais consumidos no país. a MPB é um exemplo mais do que ilustrativo disso tudo. com a literatura, já não ocorre o mesmo, infelizmente. os filmes, diga-se de passagem, estão em franca expansão. os artistas plásticos tupiniquins são consumidos aos montes no exterior. mas o real problema que enfrentamos é a falta de apoio do governo e a falta de crença na arte, e em nós mesmos. "ta tudo uma merda, de que adianta tentar", essa inércia que impede a geração de novos bens culturais, políticos e sociais.
e outra: temos muita inteligência sim, joão, só que ela é mal aproveitada.
meu comentário pode parecer evasivo, mas a questão é que subestimando-nos só iremos nos tolher entravando, assim, nossa própria evolução.

Chicão disse...

Eu gostaria de saber ao que o Sr. atribui o falecimento da mída há 40 anos: ao estudante de jornalismo que apela para um simples emprego em San Diego; à mudança editorial dos jornais, sobretudo os cariocas, na década de 50; ou a este blog que sofre de pseudo-auto-comiseração graças a seus escritores/colaboradores?

ahauahuaauh

jv disse...

nao vejo nenhuma auto-comiseracao, como o senhor diz, neste blog. pelo contrario, vejo muita coragem em expor-se as ideias de maneira autentica sem alguma ou nenhuma influencia corporativista dos veiculos de comunicacao.

dan disse...

iiih
porrada!! porrada!! xingou a mãe xingou a mãe