segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Tiro ou Livro ?

Na semana passada a imagem de policias num helicóptero matando dois traficantes desarmados da favela da Coréia esquentou o debate sobre segurança pública no Rio de Janeiro. É claro que eu como cidadão, cansado da violência que desvaloriza a cidade, senti-me vingado pelos policiais. A maioria da sociedade comemorou ao assistir aqueles bandidos, fugindo como lebres assustadas, serem abatidos diante das câmeras. Só que comemorar esse tipo de atitude do Estado é uma sandice. O que ocorreu foi uma execução sumária de dois supostos bandidos. Matar uma pessoa desarmada é contra a lei e também é proibido em tratados de guerras internacionais. Embora eu ache que bandido tem que morrer mesmo, é de se esperar que o Estado cumpra a lei. Se o Estado não dá o exemplo, quem irá dar?
Há quem discorde dessa política de enfrentamento ao tráfico. Muitos dizem que a solução para a violência é a educação, eu concordo. Só que para desorganizar o crime organizado é preciso trabalhar em várias frentes. Uma delas inclui essas operações sanguinárias da polícia – que servem para minar o poder de fogo dos bandidos. Com educação conseguiremos (espero) acabar com a violência. Mas devemos lembrar que em outros governos (lê-se Brizola em diante), quando a educação era prioridade, os bandidos tiveram sossego suficiente para organizar essa rede complexa de comércio de drogas e reunir arsenal iraquiano de armas. Então concluo que só educação não basta. Pra não dizer que não falei de flores, nem de Tropa de Elite, acredito que o filme, mesmo com seu discurso simplista (e não idiota), mostrou que o poderio de fogo do tráfico é grande e que se ele não for combatido agora o que será do Rio em dez anos?

Lucas

10 comentários:

dan disse...

"lebres assustadas" me lembra "esquilos em fuga". Mas que injustiça com a s lebres, tão dóceis e afáveis.

dan disse...

"lebres assustadas" me lembra "esquilos em fuga". Mas que injustiça com a s lebres, tão dóceis e afáveis.

jt disse...

O Brizola foi um visionário. Apesar de omitir-se na questão da segurança pública, pois a fez a seu modo, o que, posteriormente, acabou mostrando-se equivocado, os Cieps foram o melhor projeto do estado nos últimos 20 anos. Além do que, foi o último governante da cidade sobre o qual não pairou um pingo de dúvida sobre sua lisura. O Brizola foi o último romântico da política do Rio.

jt disse...

Então o filme é importante porque mostrou que o poderio do tráfico é grande?
O RJTV faz o que todos os dias?

dan disse...

Nada melhor que os fatos. Brizola não resiste a uma pesquisa de meio minuto no "google". Em 2001, a Veja veiculou matéria indicando que Brizola teria quadruplicado o seu patrimônio pessoal após o exílio. Foi seu próprio filho quem o acusou. O "El Ratón", como Fidel o chamava, também deixou uma herança política formidável no RJ: Garotinho e César Maia. Dois pilares da moralidade pública.

jt disse...

Logo a Veja? Por essa eu não esperava!

dan disse...

Sempre a Veja. E tem gente que não gosta dela, acredita?

Lucas disse...

Alguns vêem o RJTV, outros não. O filme todo mundo viu

bill disse...

Júlio, se você acredita que os Cieps foram o melhor projeto do estado os últimos 20 anos, por que não votou no Cristovam Buarque para presidente?
E, pq, se eles eram tão bons assim, que hoje em dia ainda tem gente no tráfico e não nas escolas em tempo integral como o projeto previa na época?

jt disse...

Garanto que mais pessoas veêm o RJTV do que o filme. Pode apostar. Além do que a última coisa que o mesmo quer passar é o "poderio do tráfico". Não votei no Cristóvam Buarque, assim como nao votei no Brizola, pq acho q a educação é o principal aspecto, mas não o único. Além do que, ele não me passa segurança. Mas votaria nele sem problema.
Quanto à ultima questão, primeiro que o projeto dos Cieps foram abandonados por governantes seguintes. Segundo, é inocência achar que ele acabaria, em definitivo, com o tráfico de drogas. O que acaba com o tráfico, ou é o fim do consumo (o que, presumo, a gnt não queira) ou a legalização. Isso, claro, a meu ver, tem gente que acha que a solução é matar bandido.