quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O Rio precisa de um xerife

O título acima é o slogan do provável futuro prefeito do Rio de Janeiro, Wagner Montes. Ele mesmo. Aquele que apresenta um programa na Record e usa bordões como “Minha poliçada”; “Escrachaaaa”. Segundo pesquisa recente, ele aparece em primeiro com 20% das intenções de voto para a Prefeitura do Rio.
Esse predileção, a meu ver, é efeito direto, entre outras coisas, do Tropa de Elite. Pode não ser ter sido a intenção do diretor, como de fato não foi, mas que aflorou o sentimento na sociedade de que o Bope, o “caveirão” e o velho discurso do “bandido bom é bandido morto” são a solução para a violência da cidade, é inegável. Exemplo disso é a grande venda de capas para celular no Centro da Cidade e a exaltação, até em tom de brincadeira, mas que acaba ficando no imaginário popular, ao Capitão Nascimento e às musiquinhas do Bope, tipo “corta e faqueia 02”; “botamos corpo no chão(...)”, e mais tantas outras que são ouvidas em qualquer canto da cidade. Até por isso não consigo engolir essa tese de que o filme é ficção.
Esse discurso burro e simplista de que a violência só pode ser coibida com mais violência vem levando diversos policiais a cargos políticos nos últimos anos no Estado do Rio. Isso é sintomático e mostra como a população acha que vai resolver o problema que a aflige. Vide Álvaro Lins, Marina Maggessi e Marcelo Itagiba. Não por acaso, TODOS esses foram envolvidos em escândalos de corrupção, posteriormente. Esse mesmo discurso da tão falada “Segurança Pública” levou Denise Frossard para o segundo turno. Ela, por sinal, é o exemplo mais evidente da limitação dessas “autoridades policiais” . Nos debates da última eleição, ela demonstrou não saber nada de Economia, Saúde, Educação e outros serviços fundamentais, que as pessoas não enxergam, mas que estão diretamente ligados à questão da violência. Mas quando o assunto é invadir o morro e matar o quanto for necessário, no entanto, ela não pestanejava.
É óbvio que a questão da Segurança Pública tem de ser prioridade no Estado do Rio. A polícia tem de ser eficiente, ganhar melhor, invadir morro mesmo e até matar quando for preciso. Mas ela é tão importante quanto a Educação, por exemplo. Até porque, só através dela, poderemos discutir racionalmente temas relevantes e intrínsecos à violência como legalização das drogas. Por isso não podemos eleger pessoas com essa limitação.
Argumentos como o do Daniel, de que a culpa não é do filme, mas sim da sociedade que é ignorante (infelizmente), são plausíveis. Mas, acho que quem faz Comunicação, ainda mais para a massa, como é o caso do filme, tem de saber a realidade em que está inserida e o impacto que vai causar tal mensagem.
Como dito acima, não tenho a menor dúvida de que o efeito “Tropa de Elite” fará com que mais candidatos com essa bandeira sejam eleitos vereadores no ano que vem, e Wagner Montes, sem dúvida, será um nome fortíssimo à Prefeitura. Já o seria sem o filme, mas com ele, vai ser mais ainda. Se mudar o slogan para “O Rio precisa de um Capitão Nascimento”, então, é eleito no primeiro turno.

Júlio

3 comentários:

Mariana Marques disse...

engOlir

jt disse...

Retificação feita. Obrigado, Mari.

Lucas Bili Barros disse...

Eu concordo que boa parte da população do Rio encontra um alento nesses políticos que buscam a matança da bandidagem. No entanto eu acredito que isso é anterior e exterior ao Tropa de Elite. O braço armado da Prefeitura é a Guarda Municipal que mal combate camelô o que dirá os traficantes. Não lembro de nenhum canditato a prefeito que foi eleito levantando essa bandeira. A proposta da repressão ao tráfico com matança em favela é uma medida imediatista que é necessária e tem sido tomada. É preciso desarmar os bandidos. Para melhorar a educação, distribuição de renda e a geração de empregos são necessárias de medidas de médio a longo prazo. É valido tentar desarmar o tráfico enquanto isso. Lógicamente o confronto direto não é a solução dos problemas.
Acho que o atual governo do Estado – quem tem o verdadeiro poder de coibir a violência local –está fazendo sua parte na repressão ao tráfico.
Ahhh... e o Tropa de Elite?? Possivelmente, até outubro do ano que vem, o filme já terá caído no esquecimento. Não podemos tranferir tanta culpa para um filme assim.